O meu nome é Ray,e sou gay. Este será um blog sobre “as coisas vulgares que há na vida”. Na minha vida! É um blog para maiores de 18 anos. Para todos aqueles que tem alguma curiosidade sobre a vida e pensamento gay.
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Por: Ray, em 18.09.07 às 17:12link do post | adicionar aos favoritos

15 De Setembro de 2007 – As tralhas da vida.

 

Para virar a minha vida de pernas para o ar, andei a fazer uma limpeza geral a tudo o que foi armários, gavetas, e recantos do apartamento.

Por vezes doeu-me o coração em mandar determinadas coisas para o lixo, mas tinha que ser. Em menos de 24 horas enchi 4 sacos de lixo dos grandes com tralhas que fazem parte da minha vivência, e de algum modo faziam parte do meu ser. Mas não podia levar tantas coisas comigo. De certeza que vou sentir faltas de muitos destes cacaréus, papeis e afins.

Acho que por ter tido a coragem nessessária para me livrar destas recordações, cresci. Ao deixar partes do meu passado para trás estou pronto para encarar um novo futuro.

Até que ponto me consigo desprender do passado?

Algumas coisas não hesitei em deitar fora, com uma ou outra até me perguntei porque raio guardei aquilo. Deveriam ter feito sentido apenas na altura em que as coloquei na gaveta, outras que já tinha a algum tempo, na esperança de virem a ser precisas, nunca o foram e por isso se tornaram dispensáveis.

Houve alturas durante este processo que não consegui evitar de me emocionar. Umas vezes a rir, outras quase a chorar. É impressionante quanto um objecto inanimado nos consegue tocar. Fiz umas quantas viagens ao passado. Acabei por ir recuparar algumas ao saco do lixo. Não estou ainda pronto para me desligar de tudo.

A mermobília faz parte da minha maneira de ser, e há coisas das quais não abro mão! Serão elas que contaram a minha história, quero partilha-las com alguém especial quando e se alguma vez chegar, ou servirão de recordo quando eu não estiver mais cá.

O mais provável e que daqui a um ano já tenho mais uns quantos sacos de coisas não essenciais para o meu dia-a-dia, mas imprescindíveis para contar a história de quem sou. Até que o dia virá em que de novo me vou confrontar com mais um virar de página e de novo a limpeza ao meu passado!

Como canta a Marisa num dos mais belos fados que tem:

“ As coisas vulgares que há na vida, não deixam saudades,

Só a lembranças que doem ou fazem sorrir”

A dificuldade para mim é distinguir entre as coisas vulgares, e as lembranças que tenho que manter. E foi este processo de separação que me fez crescer e aperceber um pouco mais quem sou e o que faço, e do que tenho para mostrar daquilo que já fiz com a minha vida.

R.

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