O meu nome é Ray,e sou gay. Este será um blog sobre “as coisas vulgares que há na vida”. Na minha vida! É um blog para maiores de 18 anos. Para todos aqueles que tem alguma curiosidade sobre a vida e pensamento gay.
O que me dizes?
Por: Ray, em 07.07.10 às 16:35link do post | adicionar aos favoritos

7 de Julho de 2010

 

Ontem mudei de quarto.

Embora dentro da mesma casa, um dos quartos é o maior, e como ficou vazio, mudei-me para lá. O quarto onde estava tinha demasiadas maneiras de me fazer lembrar do H.

Outra coisa que fiz também há dois dias foi voltar a criar um perfil no gaydar. Foi através de lá que conheci o amor da minha vida, quem sabe se não encontrarei lá uma nova distracção. Não me atrevo a dizer novo amor, porque isso não será possível. Pelo menos não tão depressa.

Ao criar o tal perfil, senti-me um pouco culpado. Não sei bem explicar porquê. Como se tivesse a trair o H. Não faz muito sentido, eu sei, mas é o que sinto.

Não significa que já o tenha ultrapassado. Mas preciso de algo para ocupar a mente, se não entro em loucura. Adormeço a pensar no H. acordo e olho logo para o tlm como se fosse possível lá estar umas sms dele como estiveram durante dois anos e 8 meses.....

Ontem no bar, o meu tlm tocou já passava da meia-noite. Era um número privado. Não tenho por hábito atender números anónimos, mas dada a hora, e pensado que poderia ser algo importante e grave, resolvi atender. Ninguém falou. Ouvia do outro lado alguém a respirar. Mas nada disseram. Apenas um respirar. Sei que o H. não faria uma coisa dessas, mas no meu coração era ele quem espera que o tivesse a fazer.

Passado uns minutos já dentro do bar, só tive tempo de correr para o w.c. antes de começar a chorar a pensar nele. Tudo por causa de uma música que passou.

Black dos Pearl Jam.

Em especial os últimos versos.

 

“I Know that someday you have a beautiful life,

I know you’ll be a star,

In somebody elses sky,

Why, why can’t it be mine?”

 

“Sei que um dia terás uma linda vida,

eu sei que serás uma estrela,

no céu de alguém,

porquê, porquê não pode ser o meu?”

R.

 


O que me dizes?
Por: Ray, em 13.10.08 às 21:31link do post | adicionar aos favoritos

             12 de Outubro de 2008

 

            No final de corrermos para nos despachar e fazer o check-out antes do meio-dia, fomos até a fnac do chiado. Acabamos por tomar lá café.

            Como já eram horas de almoço, e nenhum de nós tinha muita fome, sugeri irmos ao “Subway” do Rossio. Já tinha saudades. Comia nesta cadeia muitas vezes quando vivi em N.Y. Adoro aquela sandes de almondegas e queijo. Acho que o meu H. é que não gostou muito.

            Tomamos café na rua Augusta e fomos para o parque das nações. Quando la chegamos começou a chover, e tivemos a fazer tempo no “Vasco da Gama” antes de irmos para o carro.

            Pouco tempo depois, o meu mano ligou-me. Ontem não haviam conseguido fazer as mudanças todas, e precisava que os fosse ajudar.

            Confesso que era a última coisa que me apetecia. Tinha pensado que ia ficar com o meu amor o resto da tarde enroladinhos na cama, mas familia é familia, e tinha que o ir ajudar. Voltamos para casa, mudei de roupa e o meu H. deu-me boleia.

            Fartei-me de carregar moveis e mais tretas. Mas acabamos. Tudo o que era volumoso ficou na casa nova.

            A meio da tarde fomos beber uma imperial. Estavam lá dois gajos que não pararam de olhar para mim. E olhavam-me de tal forma que até a minha cunhada notou e comentou comigo.

O meu mano veio pôr me a casa, e depois de um banho fui a correr para o bar. Tinha que ir trabalhar. Estava todo moido do fim-de-semana e depois das mudanças, mas a vida é assim.

            Adorei estes dias com o meu H. Amo mesmo muito este homem.

            R.

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Por: Ray, em 06.10.08 às 15:33link do post | adicionar aos favoritos

5 de Outubro de 2008

 

Acordei todo moido e com uma dor de cabeça enorme.

Ainda estava eu a tomar café, já o meu mano me estava a ligar para saber se já estava pronto para me vir buscar. Pouco minutos depois já estava em casa dele.

Enquanto a minha cunhada e a amiga foram continuar as limpezas, eu e o meu mano começamos as mudanças propriamente ditas. Já tinham pronto umas caixas e alguns moveis que cabiam no carro dele.

O peso até nem eram muito, mas por alguma razão que desconheço a minha familia tem uma atração pelo 2º andar. a casa de onde estão a sair e a nova para onde vão são ambas no segundo andar, e nenhum dos prédios tem elevador. Tenho as pernas feitas num oito.

Numa das 4 viagens que fizemos, e quando nos preparamos para começar a subir com as tralhas as costas, entra um dos vizinhos novos do meu irmão. Que homemzão! Corpo lindo e com um rabinho redondo muito bem feitinho.Daqueles que só dá vontade de apalpar.

Mal me tinha recuperado daquela visão, começa a descer uma familia. Outro homem de parar a respiração. Vinha de calções, com a perna peluda à mostra, e com um enxumaço enorme.

Gostei da mesmo da vizinhança.

Passamos o resto do dia a acartar tralhas, a montar candeiros, e até ja montamos uma cama e finalmente acabaram as limpezas. Tou todo moido.

Sei que tive com o meu nino ontem, mas tenho já saudades! Hoje teve muito trabalho durante a tarde e pouco teclamos. Faz-me muita diferença estar sem contacto com ele. Ainda que seja por umas horas.

 

 

 

 R.

 

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Por: Ray, em 06.10.08 às 15:26link do post | adicionar aos favoritos

4 de Outubro de 2008

 

Este fim-de-semana fiquei de ajudar o mano nas mudanças de casa.

Encontraram uma casa muito boa e vão aproveitar. É muito maior. Com melhores condições, e fica também numa zona da cidade que eu gosto muito. Nem a cem metros da casa onde vivem.

Pediu-me para ir hoje, para começar a mudar coisas pequenas, mas afinal e dado a condição em que estava a casa, tivemos a tarde toda foi a limpar. Estava mesmo imunda. Disseram-lhes que tinha lá ido uma senhora para limpar, mas pela sujidade em todo o lado, deve ter varrido e pouco mais.

Nem saimos para jantar. Fomos comprar uns frangos à churrasqueira, e comemos ali mesmo sentados no chão da sala.

Deu tempo para o meu nino fechar o tasco, tomar banho e vir ter comigo à casa nova do meu mano. Quando chegou, o meu irmão mostrou-lhe a casa, que ele também gostou, e apresentou-o a uma amiga deles da seguinte forma: - “Este é o meu cunhado H.”. eu fiquei sem palavras. Eu próprio só a conheci hoje. Mas se o meu mano o apresentou assim, é porque confia. O que é certo é que ela nem pestanejou. Cumprimentou o meu nino, e nada de anormal notei na sua atitude.

Rápidamente saimos dali, e viemos para casa. Enquanto tomei banho e fiz a barba o meu homem passou-me as calças e camisa a ferro. Tão prendado que ele é!

Pouco passava da meia-noite e meia quando entramos para o carro com destino ao bar gay aqui da cidade.

Desta vez não gostei. Apanhei uma real seca. Mesmo muito pouca gente. A musica é a de sempre e o gajo não há meio de aprender a fazer passagens decentes. Ainda assim ficamos. Na semana passada anunciaram que este sábado haveria strip e queriamos ver. Foi tempo mal entregue.

Era só um gajo, que embora tivesse um corpinho muito bem trabalhado. E até nem era feio de todo, tinha demasiado tiques de bixa. E era também um principiante nesta vida de tirar a roupa e notavasse. Não sabia muito bem o que fazia. Sinceramente não gostei. E o H. também não. Viemos para casa a meio do show. Desta vez não me convenceu mesmo nada.

Assim que entramos no quarto entregamos-nos um ao outro. Vim-me enquanto a minha lingua explorava o cuzinho do meu H. e ele logo depois.

Amo-o mesmo muito.

R.

 

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Por: Ray, em 18.09.08 às 13:18link do post | adicionar aos favoritos

17 de Setembro de 2008

 

Tanto que anconteceu em menos de 24h.

Hoje para o que é normal até acordei cedo. Levantei-me e quando ia para o banho, vi que o gajo que ontem havia vindo ver o quarto ao final da tarde já se estava a mudar. Porreiro, pensei eu. Assim pelo menos não viram gajas para cá. Tomei banho, sai do wc enrolado na toalha e enquanto colocava as lentes de contacto no outro wc, deixei a porta aberta e apercebi-me pelo espelho que ele espreitou. Mas não liguei muito mais.

Vesti-me e fui tomar café. Quando voltei ainda ele andava de volta das arrumações do quarto e de porta aberta.

Enfiei-me no meu, para ver o encerramento dos jogos para-olimpicos, que achei uma real seca.

Já no final da cerimonia o tipo bateu-me à porta, levantei-me e abri-lhe a porta de boxers. Precisava de direcções para a Rádio Popular. Disse-lhe o que precisava de saber, mas o tipo continou à conversa. Não parecia minimamente incomodado com o facto de eu estar apenas de boxers.

Com a conversa apercebi-me do sotaque. O gajo é da Madeira.

Foda-se pensei eu, ao aperceber-me logo que eu só iria ter a casa para mim de novo nas férias.

No final de falarmos mais uns momentos, ele saiu. Tinha que se despachar porque ainda iria voltar hoje para a Madeira, e só voltaria no final do mês.

Voltei para a minha caminha e para o jogo de paciencia que deixara a meio, e mal peguei no pc, a campainha tocou e a senhoria entrou para mostrar o quarto a mais alguem.

Desta vez fiquei sossegado no meu canto a tentar ouvir a conversa.

Depois de muitas negociações e muitos blá blás, ora na cozinha, ora no quarto, finalmente chegaram a acordo. Durante todo este tempo consegui ver pelo buraco da fechadura o senhoria, um puto novo e uma outra senhora que percebi ser a mãe do puto.

Assim que a senhoria saiu, perparei-me para sair também. Mas apercebi-me que eles haviam ficado, e que estava à espera de alguem que lhes ía trazer as malas. Ouvi a porta a bater de novo, e aproveitei e sai também.

Ao chegar á porta do prédio, vi o puto, e junto a ele a N. minha ex-colega e ainda boa amiga do tempos em que trabalhei numa outra empresa. Se a N. conhecia esta gente, então deviam ser boa gente também assim pensei eu, e como ela é de Tomar, o puto também deveria ser de lá perto.

Comprimentei-a e segui para o café. Estava a precisar de arejar as ideias.

Quando voltei, e assim que abri a porta levei logo com eles de frente. Não tinha escapatória. Lá os comprimentei, e apresentei-me. Assim que começaram a falar, o sotaque que tinham acabou com qualquer esperança de ter a casa para mim frequentemente. São da Madeira também! Estou mesmo fodido, pensei eu!

Ficamos a conversa um bom bocado. Ambos muito simpáticos.

Voltei ao meu quarto e à troca de sms com o meu nino para lhe contar todas as novidades, e em especial o facto de serem dois putos (os dois com 18 anos), e ambos serem de tão longe e o que isso iria significar na nossa relação visto os putos só irem a casa nas férias grandes.

De repente batem-me a porta. Era o puto. Precisava de saber onde podia ir tirar fotos tipo passe, e onde ficava um banco. Porra! Pensei eu. tenho cara de gps?

Ao ver que ía ser para lá de complicado explicar-lhe como lá chegar, e visto o meu nino não poder vir cá hoje, ofereci-me para ir com eles até à cidade. Vi neles uma grata alegria.

Aproveitei a caminhada a pé até a cidade para conversar e para saber mais sobre eles.

É a primeira vez que o puto vem ao continente, e a primeira vez que vai ficar sem longe da familia sem ser em férias. A mãe está com o coração apertado porque o filho mais velho também havia vindo para o continente estudar e as coisas correram muito mal.

Levei-os ao fotográfo, mostrei-lhes onde era o banco para amanha irem tratar do que precisam, lanchamos e fomos as compras no pingo doce.

Gostei do passeio. Acho que essencialmente gostei da companhia. Ao contrário do que é habitual não estive sozinho e senti-me util. Senti-me mesmo bem. Gosto de ajudar.

Encomendamos pizza e jantamos juntos e conversamos muito.

O puto é fixe e a mãe também.

Noto nele a exitação de começar a aventura de estar longe de tudo o que lhe é familiar, e nela o aperto de coração que as mães sentem por deixarem os filhos sozinhos.

A senhora já me pediu para ter mão nele e ajuda-lo se vier a precisar.

Claro que se puder ajudo. Quem me dera ter tido alguem para me ajudar quando também começei a viver sozinho. Sei bem o que é.

Hoje senti-me feliz.

R.

 

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Por: Ray, em 29.06.08 às 21:45link do post | adicionar aos favoritos

29 de Junho de 2008

 

Já nem sinto os braços.

Mas já esta. Já levei os livros, cds e mais de um terço da roupa.

Diz-se que o conhecimento não ocupa lugar, mas posso garantir que pesa nos braços de quem tem que mudar de casa!

Durante a semana levarei o resto. Na quinta o meu H. virá ajudar-me a levar o que é mais pesado. Aliás só mesmo na quinta é que vou ver e estar com o meu menino.

Até lá, ficam as saudades, o desejo e a solidão.

Estou a precisar de despejar os tomates, o pior é que me doi mesmo os braços, hoje vai ser uma punheta tantrica, ou em camara lenta.... mas vai haver leite despejado neste quarto.

R.

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Por: Ray, em 27.06.08 às 19:29link do post | adicionar aos favoritos

27 de Junho de 2008

 

Irra que está calor!

Hoje finalmente voltei a fazer o turno da manha lá no trabalho.

Estava já cansado de fazer o turno da tarde. Ficar sozinho responsavel por aquela gente toda e resolver tudo os problemas e situações que uma loja daquelas cria,esgota-me!

É que agora alem do telefone de permanencia da loja, ainda nos fazem andar com um walkie-talkie da segurança!

Confesso que me divirto imenso com o aparelhometro.... até já tenho nome de código. sou o esquilo nervoso! Depois temos o charlie alpha, pombo bravo depenado, o raposa velha, a chinchila atrevida, e a cinderela ( que para mim devia ser chamada era de avestruz,  da maneira que se esconde e pouco ajuda!)

Mas o que é facto é que mais um meio de comunicação por perto significa mais trabalho e preocupações. Já para não falar do peso no cinto. Um telefone portatil de um lado e do outro aquele tijolo do outro.

Por isso me soube bem fazer a manha. Embora tambem tivesse sozinho grande parte da manha, consegui fazer muito do trabalho que já andava pendente.

Apenas me continua a preocupar o facto de andar a dormir pouco. Até vou para a cama cedo, mas depois fico horas a rebolar esperando que chegue o sono. nunca percebi muito bem de onde vem estes episódios esporadicos de insónia.

Este domingo vou estar de folga. Pena não poder estar com o meu nino. Mas não dá! Ele tem que trabalhar. Tou cheio de saudades. Sinto mesmo a falta dele.

Como estou de folga, vou aproveitar para começar a mudança. Sou sincero....detesto fazer mudanças. E ainda me parece que foi ontem que para aqui vim.... mas  também sei que vou para muito melhor!

Quanto mais não seja porque vou ter muito mais condições para estar com o H.

Por ele faço tudo. É ele a minha vida. Ele mereçe o melhor!

R.

 

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Por: Ray, em 02.10.07 às 18:39link do post | adicionar aos favoritos

30 De Setembro de 2007 –

 

As voltas que a vida dá em apenas 3 dias.

Foi o tempo que levei para ver um milhento de quartos, dos quais apenas 2 levei em consideração, todos os outros ou eram em apartamentos velhos demais, ou tinham senhorias cuscas até dizer chega, ou simplesmente não eram a minha cara nem para a minha personalidade.

Optei por um que embora longe que se farta do meu amado centro histórico, fica também numa zona muito simpática da cidade, e do qual gosto muito. Grande, semi novo, o quarto é óptimo com montes de espaço e luz, e pelo menos para já só partilho o apartamento com um rapazito estudante que apenas vi de relance da vez que aqui vim ver o quarto pela primeira vez. Como é estudante conto com os fins-de-semana e ferias estar sozinho, o que muito me agrada. Sei que se chama M. tem uma namorada, e usa slips (!!!), não daqueles com bom ar e boa aparência que até podem ser bem sexys, mas daqueles que se compram na feira ao desbarato, tipo 6 por 5 euros. Fazem-me lembrar os que eu próprio usava quando tinha 12-14 anos. Quando ainda o meu zezinho não crescia e se conseguia manter tapado com tão pouco tecido. Mas gostos são gostos.

Neste tempo já consegui trazer para aqui toda a roupa, louça e a cacarecos de cozinha, e claro o pc. Tudo arrumado nos seus devidos sítios. Já não sinto de novo nem as costas nem os braços. Felizmente aquele alto debaixo do braço já se foi.Agora só falta mesmo o pior. Livros, papéis e cds. O mais pesado. Tenho que pedir ajuda ao meu mano para me ajudar também a trazer uma tv. Mas como não os considero essenciais vou trazendo pouco a pouco.

            Ontem quando vinha no carro com o meu irmão, com as últimas malas de roupas, destinado já a dormir aqui, na rádio começou a passar uma musica, acho que de Greg David, que me falou à alma: “ i’m walking away from the troubles in my life, i’m walking away....To find a better day”, acho que foi um sinal de algo. Esta página já virou. Que venha a próxima!

             Ainda bem que a minha cunhada insistiu que eu saísse lá de casa. Foi o melhor que podia ter feito. Recuperei muita da minha privacidade. Já não preciso de me sentir mal, só porque tenho que acender uma luz, ou porque tenho que ir à casa de banho a meio da noite, nem outras pequenitas coisas das quais me sentia um pouco culpado por fazer enquanto me encontrava lá em casa.

            Embora ontem me sentisse bastante só, acho que tou bem melhor.

            R.

 

            Acho que amo realmente o L.

Hoje à noite enquanto esperava por clientes no bar, tivemos a trocar sms, e um deles, cujo conteúdo não era de modo algum picante ou provocatório, fez-me ficar de pau feito. Isto não é normal para mim.

Mas mais importante que isso, é que me apanho constantemente a pensar e a sonhar acordado com ele. Sinto muito do que sentia quando conheci o V. e isso é bom,

Mas por outro lado tenho um pouco de receio em envolver-me com este nino. Ele está na idade de explorar a sua homossexualidade, não para ficar preso a um só homem. Tenho medo de o fazer perder a sua fase de juventude e de putinha.

             Amanha conto estar com ele à tarde!

            R.

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Por: Ray, em 28.09.07 às 16:36link do post | adicionar aos favoritos

27 De Setembro de 2007

 

Não foi um ultimato, mas para bom entendedor, meia palavra basta.

A minha cunhada conta que eu saia daqui ate dia 1 do mês que vem.

Assim, hoje à tarde andei á procura de quartos, numa busca um pouco ingrata; ou só querem meninas, ou senhoras, ou estudantes e professores, ou são todos muito longe para quem não tem carro. Ainda assim consegui marcar duas visitas, uma para hoje e outra para amanha, e ainda me falta falar com alguns números que não me atenderam. Vamos lá ver o que isto dá.

            A verdade é que já me sinto persona non grata aqui em casa. Ontem depois de sair do bar ainda fui dar uma volta bem longa pela cidade, para fazer tempo para vir para casa o mais tarde possível.

Detesto-me sentir assim. Sinto-me a mais juntos daqueles de quem gosto. Sei que também gostam de mim, e esta situação também está a ser complicada para eles. É um esforço e um incómodo acolherem-me aqui. E fico-lhes grato por isso. Nunca pensei foi ter que sair daqui tão depressa, mas assim é a vida! Fez hoje uma semana que comecei a dormir aqui, ainda os músculos não recuperaram, e já tenho que me preparar para outra. Felizmente acho que tenho dinheiro suficiente para pagar renda e sinal.

Ainda que tenha que ir viver para um quarto, acho que será o melhor para mim. Consigo recuperar alguma privacidade, especialmente se for um apartamento partilhado apenas por rapazes. E já decidi que em prol de poder levar quem me apetecer, e fazer o que me vai na gana, me assumirei logo de inicio. Sim sou gay, lidem com isso!

Vou estar em pé de igualdade com quem lá estiver. Não terei que me preocupar com as horas a que chego, se puxo o autoclismo, se ligo o pc, nem com as horas a que me deito ou me levanto, se almoço ou se só janto. Certo que o meu mundo se resumirá a um quarto, mas que se foda, porta fechada e será só meu!

E mais vale esta pequenez que o vazio em que estou neste momento, que me faz andar em pontas dos pés, as escuras pela casa para não incomodar ninguém, evitando zonas comuns, porque sei que estão a falar de coisas que só a eles dizem respeito. Ter medo que uma noite ter insónias e me apeteça levantar para ver tv, ler ou até esgalhar uma. Ser um refugiado num campo de acolhimento em que nada é realmente meu, e em sítio nenhum me sinto um pouco em casa nem à vontade, e que todas as minhas tralhas não pertencem realmente aqui e só estão a tirar espaço a quem tem pouco para oferecer.

Acho também que a experiência de ter vivido dois anos em NY em situação semelhante, e com ainda com menos privacidade, estará a meu favor para resumir a minha vida a um quarto, e áreas comuns num apartamento.

Ainda vou agradecer a minha cunhada por esta atitude dela. Está a fazer tirar-me da minha zona de conforto e a acabar com esta inércia instalada na minha vida.

Toda aquela energia positiva que tenho vindo a sentir, estou a orientá-la para este propósito. Ainda que me sinta pressionado e um pouco magoado, estou calmo e com vontade de sair daqui o mais depressa possível.

R.

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O que me dizes?
Por: Ray, em 21.09.07 às 17:35link do post | adicionar aos favoritos

19 De Setembro de 2007

 

A cidade está com um tom de luz fantástico. O sol, as (poucas) nuvens, o céu e as cores das paredes estão conjugados na perfeição.

Não é fácil de descrever, mas iluminou-me e encheu-me a alma, depois do negrume que ontem a envolveu.

Nesta altura de arrumações e triagem de memórias, tive que deitar cartas foras. Foi duro, deitar recordações de amigos para o lixo. Cada papel daqueles envolveu, por quem as escreveu, amor, carinho e saudade por mim, e só as deitei fora mesmo por pura necessidade, mas sinto-me mal por não ser conseguir de alguma forma honrar os sentimentos de quem me quer bem, e teve tempo para me escrever. Há algo de extraordinário numa carta, algo que ultrapassa o simples papel, são sentimentos vividos e emoções reais!

 Lá se foram missivas de conteúdo diverso, que provavam que se comunicava e se convivia antes dos sms existirem, e da altura que o e-mail ainda era uma daquelas coisas que se liam nas revistas das tecnologias por vir, e os blogues nem no horizonte da minha imaginação se avistavam.

Hoje tenho o round 2 nesta luta de sentimentos, vou ter que me desfazer de pelo menos de dois terços da papel|memórias que arrasto comigo desde os primeiros dias que vivi em NY. Sei que é papelada que só a mim me dizem algo, mais significam e relembram-me de situações e sítios em que tive e o que lá fiz! São os papéis de 2 anos de alegria, tristezas, conhecimento, crescimento, descobrimento, angustias, saudades e liberdade. Memórias que espero não perderem sentido nem significado na minha tola cabeça. Por outro lado, fazem também parte daquela altura da minha vida, em que me tentei enganar e convencer-me a mim próprio que não era gay. Foi usando uma “máscara” que estas memórias foram compostas.

Só não me sinto pior porque afinal de contas também não vou ter prole a quem tenha que deixar legado histórico!

Outra coisa que me entristece muito, são os livros que tive que deixar para trás. Entre eles a colecção (completa) dos “sete”. Foi com eles que ganhei o gosto pela leitura, e vivi as primeiras aventuras imaginadas juntamente com aquele grupo fantástico. Ainda pensei em doa-los para a biblioteca, mas alguns deles estão demasiado degradados.

Sinto-me a deixar para trás a minha meninice. Mas assim são estes dias de mudanças.

Ainda não sei de este desprendimento forçado das coisas que formaram a minha personalidade, do deitar fora grande parte do meu passado, saber que daqui em diante só na minha memória é continuaram a existir, se me vai deitar ainda mais a baixo. A morte da Lara, agora isto, só me desanima. Talvez esteja na altura de aprender a desprender-me das coisas materiais! Mas tinha que ser logo com as coisas mais difíceis de largar? Coisas que estão intimamente ligadas à minha memória e ao meu próprio ser.

Como é que é possível numa altura de tanta tecnologia, e de formatos digitais dos quais sou adepto incondicional, eu me comova tanto com papéis?

Simples papéis, mas estampados e encharcados de memórias de sítios, pessoas, de choro e de riso, emoções puras e duras. Pessoas e situações que dificilmente vou voltar a ver e sentir.

Nisto de viver do passado e da saudade sou português ate ao âmago. Embora espere pelo que o futuro me traz, o passado está sempre aqui ao meu lado. Não o consigo largar tão facilmente como gostava!

R.

 

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